Na infância, eu passava as férias de julho e dezembro no sítio Pirapora, de meus avós maternos, Sebastião Tezoto e Amélia Bizim. Minha bisavó, a nona Cândida Pizol Tezoto, morava junto e também meu tio Candinho, irmão da minha mãe, casado com a tia Mariquinha, irmã de meu pai. Ficava tudo em família... E tinha as irmãs solteiras, tia Inês e tia Alaíde.
E a cada férias passada no sítio, a família de meu tio Candinho ía aumentando e chegando meus primos irmãos: Reginaldo, Rosana, Ronaldo, Rosângela. Bem depois vieram o Cassiano e a Daiana, mas nesta época eu já era adolescente e não passava mais as férias no sítio.
Além de mim, na mesma época, meus irmãos Sônia e Rosevaldo também passavam as férias no sítio. Minha irmã Maria Inês, mais velha, e a Roberta, mais nova, passavam as férias no sítio em épocas diferentes. Era uma criançada só. Quantas brincadeiras... As meninas brincavam de casinha embaixo das árvores e os meninos tentavam caçar passarinhos com seus estilingues.
Na hora do almoço e do jantar, sentávamos todos numa mesa comprida, à espera da comida que tia Mariquinha preparava no fogão à lenha. E íamos pedindo:
-Tia, quero meu ovo bem frito, dizia um.
- O meu com a gema estalada, dizia outro...
E depois as meninas, de 8 a 12 anos, ajudavam a lavar a louça. Fosse hoje, haveria briga, afinal porquê os meninos não ajudavam? Mas naquele tempo era assim, as tarefas da casa era obrigação das meninas e os meninos ajudavam o vô a carpir o pomar.
As férias eram brincar, brincar, brincar. Claro que tínhamos as obrigações, de manhã minha avó nos chamava às 6:30 h, fizesse calor ou frio. Depois do café da manhã - bolo e leite com café tomado em tigelas, varríamos e tirávamos pó dos móveis da sala. Depois sim, brincar nas goiabeiras, fazer piquenique perto da nascente de água, explorar o valinho, que era uma estradinha paralela à estrada de terra que passava na frente do sítio. Já adulta, vi uma reportagem sobre uns caminhos que os povos antigos usavam e cheguei a conclusão que esse valinho era uma estrada utilizada na antiguidade.
- O meu com a gema estalada, dizia outro...
E depois as meninas, de 8 a 12 anos, ajudavam a lavar a louça. Fosse hoje, haveria briga, afinal porquê os meninos não ajudavam? Mas naquele tempo era assim, as tarefas da casa era obrigação das meninas e os meninos ajudavam o vô a carpir o pomar.
As férias eram brincar, brincar, brincar. Claro que tínhamos as obrigações, de manhã minha avó nos chamava às 6:30 h, fizesse calor ou frio. Depois do café da manhã - bolo e leite com café tomado em tigelas, varríamos e tirávamos pó dos móveis da sala. Depois sim, brincar nas goiabeiras, fazer piquenique perto da nascente de água, explorar o valinho, que era uma estradinha paralela à estrada de terra que passava na frente do sítio. Já adulta, vi uma reportagem sobre uns caminhos que os povos antigos usavam e cheguei a conclusão que esse valinho era uma estrada utilizada na antiguidade.
E assim passavam as férias. Não posso esquecer que tínhamos lição de casa para fazer também, mesmo nas férias, mas eu fazia tudo na primeira semana e depois ficava livre. Também ensinava meus primos menores a escrever e uma recordação marcante foi um dia que meu avô segurou minha mão e disse que eu tinha mãos de professora. Ele cultuava as professoras, certamente porque não tinha estudo, só assinava o nome, como costumavam dizer naquela época.
Até o final dos anos sessenta, o sítio não tinha luz elétrica, então, à noite, minha avó e tias faziam crochê com os lampiões acesos, meu tio contava causos e dormíamos bem cedo. Não sem antes fazermos muita algazarra. Como era muita criança, dividíamos um sofá cama na sala. E pedíamos a benção para os avós, tios e para a nona (bisavó). Depois eu rezava três aves-Maria, um Pai Nosso e a oração para o anjinho da guarda. Às vezes a nona cismava em rezar alto suas orações em italiano e a vó Amélia a repreendia porque os homens precisavam acordar de madrugada para ordenhar as vacas, A nona resmungava também e depois de algum tempo, finalmente todos podiam dormir. Isso acontecia porque a casa não tinha laje nem forro, então podia ser ouvido tudo de um cômodo para o outro.
Quando eu acordava com o cantar dos galos e ainda era cedo para levantar, ficava olhando para as telhas envelhecidas pelo tempo e imaginando mil formas e desenhos. Chegado o fim das férias, meus pais vinham nos buscar para voltarmos à cidade de Salto, interior do Estado de São Paulo. Minha tia Inês nos levava de charrete até a rodoviária de Tietê para depois seguirmos de ônibus. Lembro de somente uma vez termos ido de trem e de ter ficado encantada com a paisagem, que passava lentamente pela janela do trem em movimento.
Tenho tantas lembranças boas das férias passadas no sítio de meus avós, que se fosse escrevê-las todas, daria um livro.
Foto da casa do sítio dos meus avós, décadas após se mudarem. Tinha uma cerca e muitas plantas ornamentais do lado da casa. Na frente da foto está a janela do quarto dos avós; do lado, os quartos dos tios Candinho e Mariquinha, a porta da sala e o quarto das tias Inês e Alaíde. Atrás ficava o quarto da nona Cândida e do lado esquerdo a despensa e cozinha.
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